Friday, October 27, 2006

Dualidades

Gosto de surpresas, mas ser surpreendida é no mínimo estranho.

 

Se a surpresa for teoricamente boa, o facto de alguém premeditar surpreender outra pessoa, pressupõe que esta última fique feliz com a atitude:

   - Se gostou, esboça pelo menos um sorriso inevitavelmente associado a uma sensação de felicidade incontrolável e não premeditada. E não gosto de perder o controlo das coisas.

   - Se não gostou, espera-se alguma educação e o mínimo de contentamento com o esforço do outro, caso contrário pode ter sérios problemas. E não gosto de fingir ser alguém que não sou.

 

Se a surpresa for teoricamente má, colocam-se duas questões:

   - Se foi premeditada, existe um problema de atitude. E detesto pessoas com falta de carácter.

   - Se não foi premeditada, o risco de perder novamente o controlo é elevado e… não gosto.


 

Posto isto, subscrevo as teorias que garantem a complexidade do ser humano. Especialmente se for mulher. O duelo entre estes dois seres estranhos que habitam algures dentro de mim às vezes é renhido.

Importam-se de não me surpreender? Agradecida.

Posted by nes at 20:04:34 | Permalink | Comments (11)

Tuesday, October 24, 2006

Delírio

Nunca vos aconteceu darem pela ocorrência de espasmos mentais sucessivos, recorrendo aos mais estranhos subterfúgios, para dizer o que podia ser dito numa linha? E, por sugestão, segue hoje um dos delírios com dedicatória reservada.

 


 “Ontem choveu, hoje também… Amanhã choverá?
O que sabemos é que o dia de ontem e a madrugada de hoje foram muito feias… 
O velho mau de todos os princípios de Inverno regressou com o seu ar austero derramando sobre nós um rio de problemas… mas (há sempre um mas!) trouxe também a beleza do breu, o charme do aconchego e a sabedoria dos temporais.
O vendaval amainou, o dia esconde um sol tímido, jovem e fresco…
Amanhã prevê-se que o temporal regresse e… quem nos garante que a face que nos mostrará é conhecida? Será que o velho deixa que o jovem tímido se mostre, ou lutará pelo domínio do dia, com garras afiadas e dentes aguçados?

Metáforas e historinhas aparte, só o tempo o dirá… até porque não há dias perfeitos, velhos cuja sabedoria não se acabe e jovens cujo vigor não canse… e ainda que se possam juntar num só todas as virtudes, é das dificuldades que vivemos. É com elas que aprendemos a valorizar ontem e hoje. E amanhã… é sempre amanhã.  A carta nunca vem completamente aberta.“ 

 

Eu, em perfeito delírio.

 *- Mas também há quem diga que aos loucos tudo se permite e que têm o seu quê de razão…

Posted by nes at 01:07:35 | Permalink | Comments (6)

Saturday, October 21, 2006

Stay

Hoje apetecia-me voar.

Cerrava os olhos e passava entre as gotas do temporal mais austero, decifrando todas as cores em que se decompõe uma gota de chuva.
Os raios seriam meus amigos e os trovões a voz da minha alma.
Batia à porta de quem procura fugir ao meu calor e mostrar-lhe-ia que, apesar da tempestade, a viagem é segura.
Parávamos em alto mar e amar-nos-íamos até…
Voltávamos com um sorriso, sem amanhã.
Apetecia-me mesmo voar… 


 

Posted by nes at 16:04:07 | Permalink | Comments (4)

Friday, October 13, 2006

Secretamente


La luna se está peinando, en los espejos del rio, cantarolavas…

Ficou perdido no tempo o momento de cada toque.
Nos corações que outrora batiam desregrados, ávidos de prazer e viciados um no outro, perduram as marcas da paixão corrosiva.
Quis o destino que os mundos desse toro enamorado e da luna, se cruzassem no caos da tempestade…

E, por recordar serenamente o brilho dos teus olhos a abrir os meus presentes, junto-me ao brinde da celebração da vida, com um beijo secreto.

Sem mágoas e com um sorriso.

Posted by nes at 20:42:11 | Permalink | Comments (10)

Saturday, October 7, 2006

Eu

Sexta-feira.

A misteriosa lua cheia iluminava a noite.

A viagem tinha-me esgotado. O telefone tocava. Não quis saber.

Ouvia cada vez mais longe In the arms of an angel quando senti nos pés o frio da areia. O mar estava cada vez mais perto. Perco a roupa enquanto corro até ele. Abraço-o com todo o meu amor enquanto sacio a saudade que me sufocava. És meu, só meu, grito ao mundo. Perco a noção do tempo. A magia do reencontro apaga as marcas indesejadas.
- Pequenina, estão à tua espera - diz-me enquanto me afaga o cabelo.
Liberto-me dos braços que me acalentam a alma e despeço-me com um até já…

Os sorrisos rasgados e os braços abertos aquecem-me o coração. Arrasto-me pela casa com os chinelos do meu pai, os cães ladram, todos falam ao mesmo tempo contando novidades… Estou finalmente em casa.


 

Há maior felicidade que esta?

Posted by nes at 17:24:22 | Permalink | Comments (14)

Monday, October 2, 2006

Um passo…

Como tudo o que não pode ser tocado pela mão, nem pode ser visto pelos olhos, sinto apenas os acordes cinzentos do presente. O tempo devora-me, as palavras escasseiam e voo livre, de olhos cerrados ao desejo…

Beso

Posted by nes at 19:02:11 | Permalink | Comments (8)