Dualidades
Gosto de surpresas, mas ser surpreendida é no mínimo estranho.
Se a surpresa for teoricamente boa, o facto de alguém premeditar surpreender outra pessoa, pressupõe que esta última fique feliz com a atitude:
- Se gostou, esboça pelo menos um sorriso inevitavelmente associado a uma sensação de felicidade incontrolável e não premeditada. E não gosto de perder o controlo das coisas.
- Se não gostou, espera-se alguma educação e o mínimo de contentamento com o esforço do outro, caso contrário pode ter sérios problemas. E não gosto de fingir ser alguém que não sou.
Se a surpresa for teoricamente má, colocam-se duas questões:
- Se foi premeditada, existe um problema de atitude. E detesto pessoas com falta de carácter.
- Se não foi premeditada, o risco de perder novamente o controlo é elevado e… não gosto.
Posto isto, subscrevo as teorias que garantem a complexidade do ser humano. Especialmente se for mulher. O duelo entre estes dois seres estranhos que habitam algures dentro de mim às vezes é renhido.
Importam-se de não me surpreender? Agradecida.