Saturday, November 25, 2006

“Emplastrolândia”

- Aquele desgraçado não passa mesmo de um emplastro…

- E se criássemos um país novo, a “Emplastrolândia”?

- Bem pensado… fazíamos uma lista e oferecíamos bilhetes, só de ida!

- O mundo ficaria bem melhor…


 

Confesso que me tenho entretido a pensar quais seriam os moradores deste país, o que fariam para sobreviver, o tipo de relacionamentos que desenvolveriam entre si…

 

E vocês… a quem ofereceriam um bilhete só de ida?

 

 

Posted by nes at 15:02:35 | Permalink | Comments (14)

Saturday, November 18, 2006

O conto

Sentou-se na mesa ao lado da minha acompanhado por duas senhoras de traje discreto.

Analisou a ementa e sussurrou-a para as suas convidadas. Sugeriu o bacalhau. Pediu as bebidas e serviu-as gentilmente, deixando transparecer o velho hábito. A conversa emanava charme. O rude empregado traz o primeiro prato e coloca-o sem jeito diante do cavalheiro. Este, chocado, observa “ Desconhece as regras da boa educação, por certo…” O rapaz, atrapalhado, desculpa-se sem perceber a razão da indignação do cliente.

Pai, esposa e filha almoçaram desfrutando da companhia uns dos outros.

Riam e conversavam numa cumplicidade evidente. Abandonaram o restaurante em paz, certos da importância do momento partilhado…


 

É aquele conto do príncipe…!

Foi apenas esta a minha certeza.

Posted by nes at 15:16:50 | Permalink | Comments (18)

Sunday, November 12, 2006

Asas (dedicado)

- Nem todos nascemos com asas. Embora seja verdade que não tens obrigação de voar, creio que seria uma pena limitares-te a caminhar.

- Mas eu não sei voar!

- É verdade… – disse caminhando até à beira de um precipício.

- Vês? Este é o vazio. Quando quiseres voar, vens aqui, apanhas ar, saltas para o abismo e, abrindo as asas, voarás.

- E se cair?

- Se caíres, não morrerás. Ficarás apenas com algumas nódoas negras, que te tornarão mais forte para a tentativa seguinte.

Voltando para junto dos seus amigos e companheiros, com os quais caminhara toda a sua vida ouviu:

- Para quê? Enlouqueceste… quem é que precisa de voar?

Os melhores amigos aconselharam:

- E se for verdade? Não será perigoso? Porque não começas aos pouquinhos?



 

Para voar é preciso criar espaço livre para que as asas se possam abrir.

É como atirar-se de pára-quedas: precisamos de uma certa altura antes de saltar.

Para voar, é preciso começar por correr riscos.

E se assim não for, será porventura melhor a resignação e continuar a caminhar para sempre.

 

                                                            (Deixa-me que te conte, Jorge Bucay - adaptado)

 

 

Por me ajudares a abrir as asas.      

Por me ensinares que não há amanhã.

Por me recordares que o voo é melhor que a caminhada.

E que o teu voo te permita regressar com o brilho do cristal que levas.

Beso ao som de Yann Tiersen – Comptine d’un autre été.

Posted by nes at 00:55:19 | Permalink | Comments (16)

Sunday, November 5, 2006

Dualidades II

Noite de fim de ano. Já lá vão alguns anos.
O ambiente era perfeito, o coração cheio de amor partilhado, batia num compasso diferente.
Estávamos em casa, dançávamos e brindávamos à vida. Marisco e champanhe não foram uma boa combinação.
Venho apanhar ar para a rua. Sou subitamente confrontada com alguém que saltava da janela vizinha, de faca em punho e que não esperava encontrar testemunhas. Olhamo-nos parados, surpreendidos.
Quase em sintonia, o namorado de então aparece para me oferecer um chá. Depara-se com alguém de faca na mão a fixar a namorada. Corre na direcção do assaltante gritando-me: “vai para casa e liga para a polícia”… Fico apavorada. Corro atrás dele suplicando-lhe que o deixe fugir.
Em vão.
Alguns minutos depois oiço gritos… tinha-o agarrado e tentava imobiliza-lo. Pouco tempo depois surge a polícia. Voltam todos para casa numa tentativa de reconstituir o assalto.
Os polícias batem no assaltante indiferentes à nossa presença. Não consigo ver. Sinto-me invadida por uma estranha sensação de pena do agredido e uma enorme raiva do agressor…
A noite terminou na esquadra, a prestar depoimento. Os ‘senhores agentes’ dizem que a cena de pancadaria continuará noite fora… Ainda hoje tremo quando recordo.


 

(…)

 

Hoje. Oiço gritos na rua. Aproximo-me da janela e vejo um miúdo imobilizado enquanto outro foge… Socos, pontapés e tudo o resto são pouco para descrever o que observo. Os agressores gritam com o fugitivo, condenando-o pela tentativa de assalto ao carro. Sou novamente invadida por aquela sensação…
A polícia chega. Desta vez não lhe batem à frente dos presentes…
Fiquei apavorada, impotente, confusa…

 

(…)

 

Sei que estes miúdos, ou graúdos, roubam, não respeitam o próximo, são capazes de cometer as maiores atrocidades quando confrontados com o perigo, talvez até puxar de uma arma…
Por que razão sinto pena desta gente?
Por que razão condeno quem, de cabeça perdida, os agride? 
Estarei a ver o mundo ao contrário?

Posted by nes at 01:11:33 | Permalink | Comments (23)

Wednesday, November 1, 2006

Just wondering…

Perdida nos papéis, oiço ao longe na TV…


 

  - E o senhor, não precisa de nada?

  - Não, tenho tudo o que necessito.

  - Pense bem… tem tudo? Toda a gente precisa de algo…      

 

E vocês… têm tudo? 

Posted by nes at 21:36:55 | Permalink | Comments (11)