- Nem todos nascemos com asas. Embora seja verdade que não tens obrigação de voar, creio que seria uma pena limitares-te a caminhar.
- Mas eu não sei voar!
- É verdade… – disse caminhando até à beira de um precipício.
- Vês? Este é o vazio. Quando quiseres voar, vens aqui, apanhas ar, saltas para o abismo e, abrindo as asas, voarás.
- E se cair?
- Se caíres, não morrerás. Ficarás apenas com algumas nódoas negras, que te tornarão mais forte para a tentativa seguinte.
Voltando para junto dos seus amigos e companheiros, com os quais caminhara toda a sua vida ouviu:
- Para quê? Enlouqueceste… quem é que precisa de voar?
Os melhores amigos aconselharam:
- E se for verdade? Não será perigoso? Porque não começas aos pouquinhos?
Para voar é preciso criar espaço livre para que as asas se possam abrir.
É como atirar-se de pára-quedas: precisamos de uma certa altura antes de saltar.
Para voar, é preciso começar por correr riscos.
E se assim não for, será porventura melhor a resignação e continuar a caminhar para sempre.
(Deixa-me que te conte, Jorge Bucay - adaptado)
Por me ajudares a abrir as asas.
Por me ensinares que não há amanhã.
Por me recordares que o voo é melhor que a caminhada.
E que o teu voo te permita regressar com o brilho do cristal que levas.
Beso ao som de Yann Tiersen – Comptine d’un autre été.