Enquadramento
Roubaram-me o telemóvel e a pen.
Rebolei por um lindo lance de escadas.
Um dos meus alunos teve um ataque epiléptico durante a aula. Outra chorou compulsivamente porque a Matemática a frustra.
Bati com o carro.
O telefone toca e toca e toca… Tudo é para ontem.
As horas de descanso de cada dia resumem-se às que passo a dormir.
Vejo-me forçada a dispensar gentilmente os antigos colegas das suas funções por alegada incompetência. Leio nos seus olhos raiva e revolta. Nada posso fazer. O consequente isolamento é inevitável e as pessoas com quem gosto de privar passam a estar à enorme distância de um telefonema.
Os nervos atacam-me a garganta e provocam dores de bradar aos céus…
Férias? Pouco provável… talvez para o fim do ano.
Quero chorar… e nem isso consigo.
É. A vida não pára.
E só os guerreiros sobrevivem.