Sunday, September 30, 2007

Conto zen

‘Um homem via-se ao espelho, todas as manhãs. Um dia, em que olhava para o espelho posto ao contrário, deixou de ver o rosto; pensou que tinha perdido a cabeça e o pescoço e, em pânico, pôs-se à procura deles. Um amigo disse-lhe:

- Por que é que andas à procura da tua cabeça? É tão grande que só a vejo a ela…!

O homem pôs-se então a pensar que a sua cabeça era maior que a dos outros. Sentiu nisso muito orgulho…

Perder a cabeça é perder as ilusões, mas ter orgulho numa cabeça grande é o resultado de uma meditação estúpida e egoísta…’

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Sunday, September 9, 2007

Não tinha mais de dois anos.

A mãe, zangava-se com a criança que procurava libertar-se do carrinho, gritando-lhe ‘cala-te ou apanhas mais’.

Na esplanada, para além dos evidentes actores, estava eu, boquiaberta e de livro em punho interrompendo a contra gosto a minha leitura, a assistir à cena de terror, não sei muito bem saída de que coração.

‘Se o meu filho me desobedece apanha, esteja onde estiver, era o que mais faltava!’ – dizia a mãe vaidosa.

Tive vontade de pegar no miúdo, fugir com ele para parte incerta e fazê-lo sentir, quiça pela primeira vez, o calor de um abraço apertado e todo o carinho a que não deve ter tido direito.


E assim crescem as crianças, com o sabor amargo da revolta na boca e a frieza no coração. Saberão alguma vez amar?
E enquanto adultos, quantos saberão fazê-lo de peito aberto, sem reservas e sem ‘ses’?
Pois é. Gente egoísta. Há por aí muita.


* Deixo um beso a quem me surpreendeu num dia que normalmente procuro estar sozinha.

Obrigada pelos sorrisos e pelo aconchego que me fizeram sentir. São especiais. E sei que o sabem.

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