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Não tinha mais de dois anos.
A mãe, zangava-se com a criança que procurava libertar-se do carrinho, gritando-lhe ‘cala-te ou apanhas mais’.
Na esplanada, para além dos evidentes actores, estava eu, boquiaberta e de livro em punho interrompendo a contra gosto a minha leitura, a assistir à cena de terror, não sei muito bem saída de que coração.
‘Se o meu filho me desobedece apanha, esteja onde estiver, era o que mais faltava!’ – dizia a mãe vaidosa.
Tive vontade de pegar no miúdo, fugir com ele para parte incerta e fazê-lo sentir, quiça pela primeira vez, o calor de um abraço apertado e todo o carinho a que não deve ter tido direito.
E assim crescem as crianças, com o sabor amargo da revolta na boca e a frieza no coração. Saberão alguma vez amar?
E enquanto adultos, quantos saberão fazê-lo de peito aberto, sem reservas e sem ‘ses’?
Pois é. Gente egoísta. Há por aí muita.
* Deixo um beso a quem me surpreendeu num dia que normalmente procuro estar sozinha.
Obrigada pelos sorrisos e pelo aconchego que me fizeram sentir. São especiais. E sei que o sabem.